Qual a diferença entre stablecoins e criptomoedas? | Evandro Caciano

calendar_month 25/02/2026

A discussão sobre a diferença entre stablecoin e Bitcoin costuma girar em torno da volatilidade. 

De um lado, o Bitcoin, conhecido pelas fortes oscilações de preço. Do outro, a stablecoin, criada com a proposta de manter valor estável.

No entanto, essa distinção vai muito além da variação de mercado. 

A verdadeira diferença entre stablecoin e Bitcoin começa na própria natureza do ativo, na forma como ele nasce dentro da blockchain e no que sustenta seu valor ao longo do tempo.

No episódio do #CortesTalkenização com Evandro Caciano, essa distinção é explicada a partir da origem tecnológica e econômica de cada ativo. 

Se você ainda não assistiu, vale conferir o corte para acompanhar a leitura do artigo.

Como nasce o Bitcoin e por que isso importa

Para compreender a diferença entre stablecoin e Bitcoin, é preciso começar pela origem. 

O Bitcoin é um criptoativo minerado, criado a partir de um processo algorítmico chamado mineração.

Esse mecanismo foi descrito no whitepaper de Satoshi Nakamoto em 2008 e funciona por meio do modelo de consenso chamado Proof of Work

Computadores competem para validar blocos de transações e, como recompensa, novas unidades de Bitcoin são emitidas.

Esse processo exige alto poder computacional e consumo de energia. Por isso, o debate sobre impacto energético e sustentabilidade costuma acompanhar a análise sobre o Bitcoin e outros criptoativos baseados em mineração.

Do ponto de vista econômico, o Bitcoin não possui lastro em moeda fiduciária ou ativo físico. Seu valor depende da escassez programada, já que a oferta é limitada a 21 milhões de unidades, e da confiança do mercado na rede e na sua utilidade como reserva de valor.

Portanto, quando falamos em diferença entre stablecoin e Bitcoin, já percebemos uma mudança estrutural. O Bitcoin nasce da mineração e tem seu preço determinado pela dinâmica de oferta e demanda, sem promessa de estabilidade.

O que é stablecoin e como funciona sua emissão

A stablecoin segue uma lógica diferente. 

Em vez de mineração, ela é mintada, ou seja, emitida digitalmente a partir de um processo de criação vinculado a algum tipo de referência de valor.

A principal característica da stablecoin é buscar estabilidade de preço. Muitas operam com paridade 1:1 com moeda fiduciária, como dólar ou real. 

Nesse modelo, cada token emitido corresponde, em tese, a uma unidade da moeda de referência, funcionando como uma forma de tokenização da moeda fiduciária.

Essa estrutura altera completamente a dinâmica econômica. Enquanto o Bitcoin depende de escassez e mercado, a stablecoin depende de lastro, governança e credibilidade do emissor.

Existem ainda stablecoins com lastro em outros ativos, como ouro, e as chamadas stablecoins algorítmicas, que utilizam mecanismos automáticos de emissão ou destruição de tokens para tentar manter o preço estável. 

Esses modelos mostram que a diferença entre stablecoin e criptomoeda vai além do nome. Trata-se de arquiteturas econômicas distintas.

Ao analisar a diferença entre stablecoin e Bitcoin, é essencial entender que a stablecoin não tem como objetivo se valorizar. Sua proposta é manter estabilidade para funcionar como meio de troca, unidade de conta ou instrumento de liquidação dentro do ecossistema digital.

Stablecoin e criptomoeda: onde está a confiança?

Outro ponto central na diferença entre stablecoin e Bitcoin é a questão da confiança.

No caso do Bitcoin, a confiança está no protocolo, na matemática e na descentralização da rede. 

Não há uma entidade central responsável por garantir valor. O preço é determinado exclusivamente pelo mercado.

Já na stablecoin, especialmente nas lastreadas em moeda fiduciária, a estabilidade depende da existência real das reservas e da transparência do emissor. 

O valor está ancorado na credibilidade institucional e na capacidade de honrar a paridade prometida.

Essa reflexão leva a um ponto mais amplo. A própria moeda fiduciária moderna não é mais lastreada em ouro. 

Seu valor depende da confiança nas instituições e na política monetária de um país, conforme apontam análises do Fundo Monetário Internacional e do Banco de Compensações Internacionais.

Portanto, a diferença entre stablecoin e Bitcoin também envolve entender onde a confiança está depositada. 

No Bitcoin, ela está na tecnologia e na escassez programada. Na stablecoin, pode estar no lastro, na governança ou no algoritmo que regula a oferta.

Entender a diferença é entender o risco

A diferença entre stablecoin e Bitcoin não se resume à oscilação de preço. 

Ela começa na forma de emissão, passa pelo modelo econômico e termina na estrutura de confiança que sustenta o valor.

O Bitcoin é um criptoativo minerado, baseado em escassez e mercado. A stablecoin é um ativo emitido com referência de valor e promessa de estabilidade. Ambos utilizam blockchain, mas operam sob lógicas distintas.

Para quem busca investir melhor ou estruturar novas formas de captação de recursos, entender essa diferença é essencial. 

Antes de avaliar rentabilidade ou eficiência, é preciso compreender o que sustenta o preço, qual é a promessa do produto e onde está o risco.

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